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10 comentários em “PC1014 – Suporte Nutricional para Mãe de Bebê com APLV

  1. Para a mãe vegetariana como poderia proceder ?

    • Olá Marcela,

      O vegetarianismo costuma ser classificado em ovolactovegetarianismo e lactovegetarianismo. No caso a mãe é lactovegetariana? Utiliza leite em sua alimentação? A orientação será a mesma do que para mães não-vegetarianas. A exclusão do leite e derivados da alimentação.

      A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é o tipo de alergia alimentar mais comum nas crianças até vinte e quatro meses e é caracterizada pela reação do sistema imunológico às proteínas do leite, principalmente à caseína (proteína do coalho) e às proteínas do soro (alfa-lactoalbumina e betalactoglobulina). A primeira conduta do profissional de saúde deve ser estimular a mãe a manter o aleitamento materno ou realizar a relactação, excluindo os alimentos preparados com leite de vaca e seus derivados da sua própria dieta.

      O leite humano é o alimento ideal para todos os bebês. As vantagens da amamentação são inúmeras, como já sabemos. Pelo menos nos primeiros 6 meses o leite materno deve ser ofertado aos bebês de mães vegetarianas. A American Academy of Pediatrics recomenda o leite humano como nutriente exclusivo fonte para recém-nascidos a termo nos primeiros 6 meses após o nascimento. Eles também recomendam que a amamentação seja continuada durante pelo menos os primeiros 12 meses, juntamente com a alimentação complementar. Muitas mulheres veganas optam por amamentar mais do que isso e esta prática deve ser apoiada.

      Os estudos mostarm que a composição do leite materno de mães vegetarianas é semelhante à dos não-vegetarianas, com exceção da composição gordurosa. Embora o teor de gordura total do leite materno de mulheres veganas seja semelhante ao dos onívoros, a composição da gordura pode variar dependendo da ingestão materna. Estudos mostram que a composição do leite de mulheres veganas era menor em gordura saturada e ácido eicosapentaenoico e maior em ácido linoleico e ácido linolênico.

      Outros nutrientes que deve-se considerar são as vitaminas D e B12. A concentração de vitamina D ativa é geralmente baixa no leite materno. Os níveis de vitamina B12 também variam com a dieta materna. Alguns estudos sugerem que a vitamina B12 das reservas maternas não está disponível para o lactente amamentado (16), embora nem todas as pesquisas apoiem ​​essa situação.

      Bebês veganos amamentados podem precisar de suplementos de vitamina B12 se a dieta materna for inadequada; bebês mais velhos podem precisar de suplementos de zinco e fontes confiáveis ​​de ferro e vitaminas D e B12. O tempo de introdução de alimentos sólidos é semelhante ao recomendado para não vegetarianos.

      As dietas veganas podem ser planejadas para serem nutricionalmente adequadas e apoiar o crescimento de bebês.

      Tanto a American Dietetic Association quanto a Academia Americana de Pediatria afirmam que dietas veganas bem planejada podem satisfazer as necessidades nutricionais dos bebês e promover crescimento normal.

      Veja mais informações nos artigos acessando os links abaixo:
      http://conitec.gov.br/images/Consultas/Relatorios/2017/Relatorio_PCDT_APLV_CP68_2017.pdf
      https://pdfs.semanticscholar.org/4ee7/a0e8fa43217acf1d182f4e8f6d7ab33317e3.pdf

      Att,
      Gabriela

  2. Boa Noite. Em relação às contra indicações dos probióticos para pctes imunocomprometidos…. Isto tbm vale para doenças auto imunes, como a febre reumática ( “reumatismo no sangue”)? Onde o pcte necessita medicamento corticóide? Há alguma interferencia na absorção deste medicamento ou na sua ação? Doenças da tireoide, hiper e hipo? Posso ficar tranquila em prescrever nestes casos probioticos e simbioticos? Obigada pela atenção!

    • Olá Carla,

      Como há relatos na literatura científica que um número expressivo de infecções pode estar relacionado aos probióticos, tem-se questionado sobre a segurança na indicação desse tipo de produto para pacientes em estado crítico, principalmente em imunocomprometidos.

      Entretanto, os probióticos podem ser utilizados em doenças autoimunes e, também, em pacientes com alterações tireoidianas.

      Tem um probiótico chamado BLIS K12. Ele é encontrado fora do Brasil e está associado a uma redução significativa e contínua de infecções na garganta e outras doenças estreptocócicas entre crianças.

      Veja:
      https://clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT02407106

      Em relação a utilização de corticoide e probióticos no estudo abaixo os investigadores acreditam que a administração de probióticos juntamente com corticosteroides funcionará para diminuir a frequência com que os episódios febris ocorrem.
      Veja:
      https://clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT02535962

      Os probióticos são usados na prevenção e tratamento de doenças, na regulação da microbiota intestinal, em distúrbios do metabolismo gastrointestinal e como imunomoduladores.

      Há pesquisadores que investigaram a relação entre probióticos e a levotiroxina (LT 4 ).
      No estudo os pesquisadores utilizaram o VSL # 3 ® , uma mistura de lactobacillus e bifidobacteria.
      A conclusão do estudo foi que VSL # 3 ® não altera diretamente a compensação funcional da tireoide.

      Veja os estudos:
      https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fendo.2017.00316/full#supplementary-material
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5694461/

      É sabido que 70% do sistema imunológico reside no trato digestivo e a saúde do intestino é diretamente proporcional à saúde de todo o corpo, sistema imunológico e digestão.

      Att,
      Gabriela

  3. Boa Noite!
    Qual idade que se pode reiniciar a introdução do leite de vaca, ovo e soja em crianças com alergia? Com saber se realmente a alergia está “curada”?
    Atualmente há tratamentos com médicos Alergologistas e Imunologistas, que tratam alergias com vacinas…. isto pode ser aplicado em alergias alimentares, tanto adultos quanto crianças?

    • Olá Carla,

      Alguns autores sugerem que a proteína do leite de vaca pode ser reintroduzida de forma experimental em crianças com 1 ano de idade e em crianças com alergia não mediada por IgE, enquanto crianças suspeitas de alergia mediada por IgE não devem ser expostas a leite de vaca por mais tempo. A confirmação requer eliminação e reintrodução do alérgeno suspeito e testes laboratoriais de IgE sérica específica à proteína do leite de vaca.

      A alergia à proteína do leite pode manifestar-se através de vias mediadas por IgE e não mediadas por IgE.
      Uma alergia mediada por IgE (também conhecida como reação de hipersensibilidade tipo I ) ocorre quando antígenos se ligam a anticorpos IgE ligados a mastócitos. A ligação cruzada de 2 anticorpos IgE por um antígeno faz com que o mastócito liberte histamina, um potente mediador inflamatório, resultando em uma reação alérgica imediata.

      A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) afeta de 2 a 6% das crianças, com a maior prevalência durante o primeiro ano de vida.
      Veja o estudo:
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12487202/

      Aproximadamente 50% das crianças demonstraram resolver a APLV no primeiro ano de idade, 80-90% no quinto ano.
      Veja os estudos:
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12777603/
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12688620/

      10% a 14% dos pacientes com alergia ao leite também apresentam alergia à proteína de soja. Savage et al descreveram retrospectivamente a história natural de 133 pacientes alérgicos à soja (88% com alergia a amendoim concomitante) com uma variedade de reações clínicas e descobriram que aproximadamente 50% das crianças superaram sua alergia aos 7 anos e 69% aos 10 anos. Os níveis de IgE de soja absoluta foram preditores úteis de alergia à soja.

      Veja o estudo:
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20226303/

      Veja mais informações:
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3070118/

      Cerca de 50-80% das crianças com alergia ao leite ou ovo de galinha desenvolvem tolerância até a idade escolar. Alergias a frutos do mar, amendoim e nozes são mais propensos a persistir.
      Deve-se solicitar os testes de alergia objetivos como a dosagem específica de IgE (IgE sérica específica) para verificação.

      Entretanto, enquanto para algumas crianças a alergia ao leite desaparece em questão de meses, o processo pode levar de 8 até 10 anos em outras crianças.

      Veja mais informações acessando o link dos artigos abaixo:
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2553152/
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2823764/
      https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/09540105.2013.864603

      Atualmente há tratamentos com médicos Alergologistas e Imunologistas, que tratam alergias com vacinas…. isto pode ser aplicado em alergias alimentares, tanto adultos quanto crianças?
      Se o médico recomendar imunologia a alergênicos, sim.

      Att,
      Gabriela

  4. Na impossibilidade de adquirir probióticos manipulados, ou em fção de custo (quando a família tem menos poder aquisitivo), o qual vemos muito na rede pública (posto de saúde), o que podemos oferecer para modulação e recuperação do intestino? Probióticos prontos em farmácia? Há algum outro produto ou alimento que tente substituir probióticos?

    • Olá Carla,
      Sim. Opções como Kefir de leite e de água, Kombucha, simbióticos prontos como Simfort, Floratil (em casos de diarreia), podem ser utilizados e são benéficos para a microbiota intestinal.

      Kefir e kombucha podem ser reproduzidos em casa. Somente há necessidade de se encontrar cepas de boa procedência. A bebida de Kefir açucarada é produzida pela fermentação da solução de açúcar bruto com grãoes de Kefir.

      Kombucha é uma bebida ligeiramente efervescente fermentada de chá adoçado que é usado como alimento funcional. A bebida pode ser feita em casa com SCOBYs.

      Att,
      Gabriela

  5. Boa Noite! Nas dietas de exclusão de proteína do leite, ovo e soja, é necessário excluir glúten tbm? Em relação aos probióticos, há alguma contra indicação em bebês ou adultos?

    • Olá Carla,

      O glúten só deve ser excluído da dieta se houver necessidade, alguma intolerância ou sensibilidade ao glúten.

      Os probióticos podem ser prescritos para crianças e adultos.
      Em pessoas que geralmente são saudáveis, os probióticos têm um bom histórico de segurança. Os efeitos colaterais, se ocorrerem, geralmente consistem apenas em sintomas digestivos leves, como flatos.

      No entanto, a infecção e a sepse são as complicações mais sérias e não prováveis da administração de probióticos, particularmente em pacientes imunocomprometidos.
      Att,
      Gabriela

  6. quais as formulas infantis mais indicadas qdo é necessário complementar o leite materno????

    • Olá,

      É necessário complementar quando a criança está irritada, não está conseguindo mamar o suficente no peito, deixando a mãe preocupada (neste caso, a produção do leite materno pode até diminuir pelo estresse materno), quando a mãe está com mastite e não está conseguindo amamentar. Mas, é necessário ressaltar que o complemento deve ser dado no copinho para que a criança não desista do peito, e por um tempo determinado.
      Veja esses artigos:
      http://www.ibfan.org.br/documentos/outras/nov%202004%20giugliane.pdf
      http://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2017/03/Revista-Sade_frmulas-infantis_dra.-Jocemara.pdf
      http://www.scielo.br/pdf/jped/v79n4/v79n4a04
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26181720

      Existem várias fórmulas no mercado que serão indicadas conforme a fase em que a criança está. Não há indicação exata, pois dependerá das particularidades de cada criança. As mais usualmente utilizadas são Aptamil, Nan e Ninho Fases.
      Existes crianças que se adaptam a determinado tipo e outras não. Outras questão que devem ser levadas em consideração é se a criança tem refluxo, alergias, constipação intestinal, dentre outros. Por isso, é uma questão de avaliar e se necessário trocar a fórmula.

      Abaixo seguem algumas explicações:

      FÓRMULAS INFANTIS DE PARTIDA
      É o produto, em forma líquida ou pó utilizado sob prescrição, especialmente fabricado para satisfazer, por si só, as necessidades nutricionais dos lactentes sadios durante os primeiros meses de vida.

      FÓRMULAS INFANTIS DE SEGUIMENTO
      São produtos destinados a lactentes sadios a partir do sexto mês de vida até doze meses de idade incompletos.

      As fórmulas de partida e de seguimento são preparadas pela diluição do leite de vaca desnatado, para diminuir o alto conteúdo proteico, ajustando a quantidade de minerais e adicionando óleos vegetais e carboidratos.

      FÓRMULAS INFANTIS DESTINADAS A NECESSIDADES DIETOTERÁPICAS ESPECÍFICAS
      São as fórmulas destinadas a atender, quando necessário, as necessidades nutricionais de lactentes decorrentes de alterações fisiológicas e/ou doenças temporárias ou permanentes e/ou para redução de risco de alergias em indivíduos predispostos.

      FÓRMULAS ANTI-REGURGITAMENTO
      O refluxo gastroesofágico é o fluxo retrógrado e repetido de conteúdo gástrico para o esôfago, frequente em crianças, na maioria das vezes de evolução benigna e caracterizado pela presença de regurgitações.

      Inicialmente o tratamento deve ser realizado sem medicamentos, pois a maioria das crianças tende a melhorar espontaneamente, sendo recomendado apenas o decúbito dorsal ou lateral e adequação da dieta. As fórmulas para esses casos usualmente incluem o amido em sua composição, o que proporciona maior espessamento quando em contato com o suco gástrico e, consequentemente, menor risco de regurgitação.

      Há predomínio de caseína devido ao seu efeito tampão sobre a acidez gástrica. O conteúdo de lipídios é menor, para assim aumentar o esvaziamento gástrico.

      FÓRMULAS PARA PREMATUROS
      Os prematuros apresentam uma deficiência relativa de lactase e por essa razão, o carboidrato das fórmulas é uma mistura de lactose e polímeros de glicose. Estes polímeros permitem um rápido esvaziamento gástrico, diminuindo a estase gástrica, e o risco de enterocolite necrotizante, pois possuem uma carga osmótica mais baixa.
      Os prematuros apresentam uma limitada capacidade de digestão e absorção de gorduras, o que se deve à baixa atividade da lípase pancreática e principalmente, a uma deficiência de sais biliares, levando a formação inadequada de micelas com reduzida solubilização de triglicérides da dieta. Os triglicerídeos de cadeia média (TCM) são melhores absorvidos, possivelmente porque sua digestão e absorção não dependem da concentração luminal dos sais biliares, penetrando diretamente na circulação portal.
      Os aminoácidos taurina, histidina, tirosina e cistina também devem ser considerados essenciais aos recém-nascidos prematuros, além dos aminoácidos considerados essenciais ao ser humano. A capacidade do prematuro em sintetizar a carnitina é menor, sendo necessária sua suplementação nas fórmulas. Deve haver uma maior concentração de cálcio e fósforo para a mineralização óssea.

      FÓRMULAS DERIVADAS DA SOJA
      São indicadas em casos de deficiência primária de lactase, galactosemia, alergia a proteína do leite de vaca, além de lactentes de famílias vegetarianas em que não se deseja o consumo de proteína animal.
      A alergia alimentar é resultante de uma resposta imune exarcebada devido a exposição de um individuo às proteínas alimentares .
      Apresentam composição semelhante às demais fórmulas, exceto pelo carboidrato e proteína. São compostas de proteína de soja refinada e aquecida para melhorar a digestibilidade proteica e a biodisponibilidade mineral. O zinco, magnésio, ferro e cobre apresentam uma absorção menor que a do leite materno e o de fórmulas com leite de vaca, possivelmente relacionado à presença de fitatos.

      FÓRMULAS SEM LACTOSE
      A lactose é o principal carboidrato do leite e requer a enzima lactase para ser decomposto em galactose e glicose. Nesses leites, geralmente há a substituição da lactose por hidrato de carbono, geralmente dextrinomaltose. São fórmulas indicadas para lactentes afetados por má absorção de lactose, desnutrição grave, deficiência primária de lactase, lesão da mucosa intestinal na diarréia persistente ou crônica, levando a deficiência secundária de lactase.

      HIDROLISADOS PROTEICOS
      São fórmulas nutricionalmente completas, semi-elementares, hipoalergênicas, nas quais a proteína se encontra hidrolisada em pequenos peptídeos e aminoácidos livres. Atualmente, estão disponíveis no mercado nacional hidrolisados de caseína, de proteínas do soro do leite e de proteínas da soja e colágeno.
      Na dependência do fabricante, fornecem de 68 a 75 kcal e de 1,9 a 2,5 g de proteína em cada 100 mL. São adicionadas de vitaminas, minerais e elementos–traço. Suas fontes de gordura são mistura de óleos vegetais e TCM, nunca em concentrações maiores de 50% para garantir a oferta de ácidos graxos essenciais. As fontes de carboidratos são a dextrino-maltose e o amido.
      Estão indicados nos casos de alergia simultânea à proteína do leite de vaca e da soja, nas condições clínicas associadas as síndromes disarbsortivas graves, na presença de hipoalbuminemia, na transição de nutrição parenteral total para nutrição enteral e na realimentação de pacientes críticos por promoverem uma diminuição do gasto energético com o processo digestivo-absortivo.

      Att,
      Gabriela

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